Quando alguém da família de uma criança morre, ainda que se tente omitir ou negar, ela irá perceber através das atitudes transformadas dos familiares ao redor. O fato é que cedo ou tarde ela descobrirá. Omitir-lhe a verdade seria algo grave, seria como ignorá-la só porque ela não fala como os adultos, como excluí-la da família, e pior ainda, se as pessoas mais próximas em que ela deposita toda sua confiança não forem capazes de falar sinceramente sobre a morte, ela tomará isso como um modelo a seguir e nem ousará perguntar à respeito daquilo que sua percepção lhe diz.
O que o adulto não sabe, é que as crianças questionam sem angústia a respeito da morte até cerca de sete anos. Por volta dos três anos de idade esta questão começa a aparecer. Existem animais que morrem em torno delas, elas ouvem estórias, conversas; o conceito de que as coisas acabam, e que os limites existem, já estão estabelecidos desde muito cedo.
Se a criança estiver bem amparada, terá mais chances de elaborar da forma mais sadia possível o momento do luto.
A conclusão de uma conversa franca com uma criança, sobre a morte, sem medo, tem sempre um tom positivo, só o fato de estar perto, falando a respeito e ouvindo, já é positivo. Todos os seres humanos aceitam a morte através de uma forma singular. Devemos respeitar, no mínimo, a maneira que as crianças encontram para superar o momento da morte. Elas têm perguntas e buscam o conhecimento, e nós, adultos que muitas vezes, acreditamos que sabemos muito, ouvimos delas as melhores respostas para as perguntas que não saberíamos responder.
escrito por Dr. Luiz Ainbinder
Hoje em dia, um número cada vez maior de adultos estão criando sozinho seus filhos. A maioria desses adultos são mulheres. Algumas vezes o adulto precisa criar sozinho uma criança por causa da morte do parceiro, mas em geral isso ocorre em virtude de um divórcio ou separação. Certos pais, depois da separação, conseguem permanecer sendo um casal no sentido de serem os pais de seu filho.
Quando isso acontece, a criança é evidentemente favorecida. Se os pais querem que seus filhos sejam felizes, o vínculo filial deve ser preservado independentemente dos laços conjugais. A grande confusão que acaba ocorrendo na cabeça das crianças é quando os adultos misturam as figuras de marido e mulher com as de pai e mãe. Quanto menores forem os filhos, tanto mais necessitam de pai e mãe. Quanto mais dependentes, no sentido de necessitar de cuidados, mais irão exigir uma figura que supra suas necessidades. Essa figura tanto pode ser a materna quanto a paterna.
A capacidade que as crianças pequenas têm de diferenciar a realidade da fantasia é pequena, de modo que estas podem, em sua imaginação, sentir-se responsáveis pelos eventos a seu redor. Portanto, não é incomum que elas sintam terem afastado o pai ou a mãe. Se os pais puderem continuar a ser amigos e a compartilhar a responsabilidade e o amor pelo filho, este passará a compreender e acreditar que não é responsável pelo término do relacionamento dos pais.
Tendo em vista, porém, as características da natureza humana, é comum que a capacidade dos pais divorciados de assumir uma responsabilidade adulta pela criação do filho diminua, e a criança pode então se tornar um “joguete” no relacionamento. Crianças pequenas são muito vulneráveis e precisam ser protegidas das discussões, que muitas vezes não conseguem compreender, mas cujo impacto emocional certamente são capazes de sentir.
Portanto o importante é que na separação os pais poupem a criança de sofrimento. Tentar explicar a razão por que estão se separando pode apenas confundir ainda mais a criança. O que ela provavelmente precisa é de um relato, o mais simples e direto possível, das mudanças que a separação trará. Acordos relativos aos dias de visita são mais facilmente compreendidos por crianças de sete anos do que por crianças menores.
Os filhos não devem ser colocados como culpados, responsáveis ou participantes da separação conjugal. O melhor é transmitir aos filhos que o casal irá se desfazer, mas que os vínculos de pai e mãe serão preservados o máximo possível.
escrito por Dr. Luiz Ainbinder
Desde a Antiguidade, filósofos gregos afirmavam que o equilíbrio está no meio. Buda também recomendava o caminho do meio. Nem um extremo nem outro. Embora esta sabedoria ainda permanece válida, muitos pais a ignoram, pelo menos em termos de estabelecer limites para seus filhos.
Alguns pais agem como tiranos inflexíveis, querendo impor uma disciplina militar rigorosíssima em relação a seus filhos. Resultado seqüelas emocionais e desobediência a princípio passiva e depois escancaradamente desafiadora.
Outros, são adeptos do “liberou geral”, não se permitem negar nada a seus filhos para não traumatizá-los, esquecendo que as crianças não nascem sabendo quais são os seus limites e dependem dos pais para aprender.
O que andamos vendo no noticiário são notícias de pais deste segundo grupo. Seus filhos espancam empregadas domésticas, descarregam extintores em prostitutas e, não obstante a gravidade de seus erros, os pais permanecem em sua atitude superprotetora e prejudicial: “foi só uma brincadeira dos garotos”, dizem eles.
Não são pessoa más, estes pais. São apenas desinformados. Educam de maneira errada e esperam o comportamento acertado de seus filhos.
Parece loucura, mas a ambição universal dos homens é vivendo colhendo aquilo que nunca plantaram.
escrito por Dr. Luiz Ainbinder
As pessoas são tidas como imaturas quando não reagem bem à frustração, situação que os psicólogos gostam de chamar de baixa tolerância à frustração. Já as pessoas maduras são aquelas que entendem que a vida é freqüentemente frustrante. Estamos falando, é claro, de adultos.
É natural da criança querer “tudo” e “agora”. Sem essa de deixar para depois.
O sentimento de frustração pode se tornar muito freqüente na criança em função de seus ilimitados desejos e de não levar ainda em conta os aspectos da realidade. Só com o desenvolvimento e com a ajuda do adulto é que a criança pode ir aprendendo a restringir certas vontades, trocar uma coisa por outra, a aceitar que existe uma hora para cada atividade, que mesmo que seja prazerosa, em certo momento precisa ser deixada de lado e substituída por outra coisa.
Esse progresso é um processo lento e trabalhoso. Quem pode ajudar a criança nesse sentido é o adulto, os educadores, e, sobretudo, os pais. Para tanto, é fundamental que os adultos também possam aceitar os limites e as frustrações da vida, considerando os aspectos da realidade, ou seja, o adulto possa compreender que frustrar o filho (dar limites) não é ser “mau”, e sim, dar-lhe proteção e cuidado. Se isto não está sendo possível, as “regras” de como educar e castigar acabam falhando.
É preciso que os pais possam aceitar as reações de agressividade e sofrimento dos filhos perante suas frustrações, de maneira a permitir que eles se desenvolvam. O sofrimento faz parte da vida e, tentar poupar os filhos dessas experiências, é prejudicá-los no enfrentamento da vida.
Enfim, meu querido (a) ouvinte: se você der a uma criança e a um porco tudo o que querem, no final você terá um excelente porco e uma péssima criança.
escrito por Dr. Luiz Ainbinder
Todas as crianças mentem, mais cedo ou mais tarde. O problema não é tanto proibir as pequenas mentiras, mas evitar que elas se tornem um hábito.
Dizem que a verdade sai da boca das crianças… e a mentira também. Ela até faz parte de sua evolução normal. Até os 6 ou 7 anos, a criança toma, a tal ponto, os seus desejos por realidades que acaba se convencendo a si mesma de que está dizendo a verdade. Mas um belo dia, por volta dos ou 10 anos, descobre que a mentira resolve muitos problemas. Começa então a saber verdadeiramente quando e por que usá-la.
Em certas situações, é melhor autorizar seu filho a confessar toda a verdade, sem ser punido. Fale em particular. Adote um tom firme, mas não ameaçador. A conversa deve lembrar mais uma consulta ao psicólogo do que um interrogatório de polícia.
Se ele mente como respira, não seja ingênuo para acreditar sempre nele. Mostre-se mais disponível e não se contente com suas explicações. Às vezes valerá a pena verificar o que ele lhe conta: “Vou esperar que você me diga quem te teu este CD e depois vou perguntar a essa pessoa”. Se você não se der ao trabalho de procurar a verdade, será ainda mais fácil para ele mentir da próxima vez.
O erro cometido, encoberto com uma mentira e depois assumido, deve ser reparado.
escrito por Dr. Luiz Ainbinder
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