fev 09

Diferente do que muitos pensam, luxúria nada tem a ver com luxo ou riqueza. Tem a ver com sexo.
Os dicionários definem a luxúria como sendo libertinagem, sensualidade, lascívia. Pode também ser definida como viço nas plantas e exuberância de seiva. O sentido comum é que ela é o apetite sexual, com exclusiva satisfação física.
O ato sexual não é apenas feito motivado pela luxúria. Alguém pode querer sexo por muitas razões: para ter filhos, para provar que podem fazê-lo, para satisfazer um parceiro, simplesmente para se livrar desse alguém, para conseguir vantagens profissionais, para prover uma amostra médica ou para ganhar algum dinheiro. Estudo recente levantou 237 razões para se fazer sexo. Nesses casos, essas pessoas podem desejar sexo sem sentir luxúria; na verdade, em alguns desses casos a ausência de luxúria pode ser precisamente o problema. O sexo pode ser um meio para atingir outro fim e, de qualquer modo, é certo que, biologicamente, ele existe como meio para atingir uma finalidade adicional, ou seja, a reprodução.
A sexualidade é uma imposição da natureza. Quando você nasceu, duas células se encontraram e seu ser foi criado. Aquelas duas células sexuais estão presentes em todo o seu corpo. Elas multiplicaram-se e voltaram a multiplicar-se, mas sua unidade básica permanece a célula sexual.
Se considerarmos nossas escolhas reais, ao invés de nos focarmos nas regras hipócritas, anti-sexuais, moralizantes, temos de admitir que gostamos da luxúria.
Enfim, meu querido (a) ouvinte: todos sabemos que a força da necessidade é irresistível.

escrito por Dr. Luiz Ainbinder

fev 09

Estou atendendo atualmente em meu consultório um casal, ambos com menos de trinta anos e que têm um filho de 3 anos de idade. O motivo da consulta: a mulher teve um caso extra-conjugal com um colega de trabalho e o marido veio a descobrir. Estão em vias de separação.
O motivo desta traição, digamos assim, é bastante comum e aproveito para passar uma mensagem de alerta, para você, meu querido (a) ouvinte.
A traição conjugal tem inúmeros motivos, e um deles, que acontece com bastante freqüência é o descompasso afetivo que se instala lentamente entre o casal. Isso acontece quando um dos dois está com praticamente quase toda a sua energia voltada para alguma coisa externa ao relacionamento.
Exemplos: um homem que se envolve demais com o trabalho; a mulher que dirige toda sua energia para assuntos ligados à casa e às crianças.
Se os dois parceiros têm interesses que os absorvem na mesma intensidade, nenhum problema. A situação se complica quando um dos membros do casal quer atenção e o outro não está disponível para atender ao desejo do parceiro(a).
É fácil compreender as mágoas e ressentimentos que esse descompasso pode ocasionar. A infidelidade pode ser uma saída para o parceiro(a) que sente-se deixado de lado.
A idéia de posse, habitualmente associada ao casamento, desencadeia uma série de comportamentos que terminam por afastar o amor do dia a dia do casal. É quando as pessoas se olham e julgam saber tudo sobre o outro, e que outro também sabe tudo a seu respeito. Nesse estágio as conversas limitam-se aos problemas do cotidiano, e as preocupações de pelo menos um dos dois estão focadas no trabalho, na casa, nos filhos ou nos problemas financeiros.
Toma-se por garantida a posse da pessoa com que se está casado, como se o contrato em vigência garantisse que um pertence ao outro e que nada ameaçará essa crença que está ligado ao casamento.
Muitas coisas passam a não serem ditas, surgem as cobranças, a irritação, e os assuntos ficam restritos à empregada, ao colégio das crianças, à oficina do carro ou a roupa na tinturaria. O relacionamento passa a ser aquele prato morno, requentado, feito da mesma maneira todos os dias.
O fato é que o cotidiano é voraz e se o casal não estiver atento, os compromissos vão drenando a energia da pessoa. O marido e/ou a mulher deixam de olhar o outro e percebê-lo como alguém que vibra, que tem sentimentos e desejos.
As pessoas vão se acostumando com os maus humores, com as irritações, e embora vivendo juntos, não se está presente. Um dos dois ou ambos não estão acordados para o que se passa com o outro. Estamos no terreno fértil para a infidelidade.

escrito por Dr. Luiz Ainbinder

fev 09

O amor pode ser eterno, já a paixão é solúvel no tempo. Deve ter sido por isto que o escritor Oscar Wilde afirmou que a única diferença entre um capricho e uma paixão eterna é que o capricho dura um pouco mais.
Os seres humanos são programados, pela mãe natureza para se sentirem apaixonados por um período que dura no máximo 30 meses. Ou seja, o tempo suficiente para que o casal se conheça, copule e produza uma criança.
Os Dons Juans e Casanovas de ambos os sexos podem não passar de viciados em paixão. A ciência moderna explica. Quando a pessoa se apaixona, acontecem reações químicas em seu cérebro – uma super-produção de dopa-mina, fenil-etila-mina e oci-tocina – que funcionam como uma droga natural. O apaixonado também tem uma sensação de euforia, devido à liberação de adrenalina. É como se tomasse um energético por hora, tamanha é a sua vontade de viver, de onipotência.
Os efeitos psicológicos da paixão são visíveis e inconfundíveis. É como se o apaixonado tivesse ingerido a pílula da felicidade.
Viver a paixão é bom. Mas é preciso pensar muito bem antes de se entregar totalmente, pois a paixão é um sentimento que acontece entre um homem e uma mulher que não se conhecem muito bem.
Os homens parecem ser mais suscetíveis à ação dessas substâncias. Eles se apaixonam mais rápida e facilmente que as mulheres. É graças à intensidade da ilusão romanceada, achamos que escolhemos nossos parceiros.
E, como qualquer droga, com o tempo, o organismo vai se tornando resistente aos seus efeitos – e toda a “loucura” da paixão se desvanece gradualmente – a fase da atração não dura para sempre. O casal, então se vê, diante de uma encruzilhada: ou se separa ou habitua-se a manifestações mais brandas de amor, que incluem companheirismo, afeto e tolerância e permanece junto. Isto é especialmente verdadeiro quando filhos estão envolvidos na relação. Ou seja, a paixão quando sair de cena só dará lugar a um amor pleno e sadio se os parceiros tiverem o mínimo de afinidades, como valores, hábitos e interesses similares.

escrito por Dr. Luiz Ainbinder