fev 09

A sexualidade é uma imposição da natureza.  Quando você nasceu, duas células sexuais se encontraram, se reproduziram infinitas vezes e seu ser foi criado.  Aquelas duas células sexuais estão presentes em todo o seu corpo, são suas unidades básicas, portanto, o desejo sexual é um fogo que trazemos desde o nascimento.
Se considerarmos nossas escolhas reais, ao invés de nos focarmos nas regras hipócritas, anti-sexuais, moralizantes, temos de admitir que gostamos da luxúria.  As agências de publicidade se desdobram para sugerir que seus produtos nos capacitem a despertar e excitar a luxúria nos outros, enquanto que ninguém jamais fez fortuna prescrevendo maneiras de nos tornarmos menos desejáveis, menos atraentes.  Mas, não importa qual seja o absurdo, sempre haverá alguém para defendê-lo.
O que é certo?  O que é errado?  Em todas as sociedades isso difere.  Assim, o certo e o errado são determinados apenas por uma sociedade específica; eles não são naturais, são sociais.  Não têm nenhum valor existencial.
A sociedade lhe deu idéias já prontas sobre o que é certo e o que é errado.  Só que na vida as idéias prontas não funcionam, porque a vida continua mudando, assim como o rio, cujas águas são sempre renovadas.  Por exemplo: você tem uma fotografia sua da sua infância, e, se você não souber que é a sua foto, talvez nem a reconheça, porque você mudou muito.  Essa fotografia está morta, não está crescendo, não está mudando.  E você está crescendo, está mudando.  A moralidade é como a fotografia.
Toda sociedade fica propondo que isso é o certo e aquilo é o errado.  O problema é que, o que quer que ela julgue errado, é, na maioria das vezes, natural, e atrai você.  É errado, segundo ela, mas é natural; assim, a profunda atração pelo natural está aí.  Ela tem de criar um medo tal que se torne mais poderoso que a atração pelo natural; por isso o inferno tem de ser inventado.

escrito por Dr. Luiz Ainbinder

fev 09

Nossa cultura é viciada em romance; vivemos em uma enxurrada de romance derramada pela mídia.  Você viu muitos filmes da Disney quando era pequeno?  Muitos filmes com Tom Hanks e Meg Ryan recentemente?  E Doris Day e Rock Hudson antigamente?  Existem tantos filmes maravilhosos sobre pessoas que estavam destinadas a ficar juntas – filmes que nos influenciaram fortemente a desejar “a pessoa certa”.  Somos viciados em romance e este vício é uma doença internacionalmente aprovada.  Celebramos a doença do amor: admiramos e,às vezes chegamos até a invejar secretamente alguém abatido por aí, escrevendo o nome do seu amado em pequenos pedaços de papel, nos mostrando a péssima poesia que acabou de dedicar à pessoa na qual não para de pensar dia e noite, obsessivamente.
O fato é que para 99% das pessoas, isso é só uma fase, e uma fase não se perpetua para sempre, é temporária.  Mas interpretamos esta ebulição hormonal como sinal de que encontramos a nossa tão sonhada alma gêmea.  É de fato, um estado bastante gostoso, mas ficar de pilequinho também é e, em ambos, não estamos em nosso perfeito juízo.  Não estamos equilibrados suficiente para dirigir um automóvel ou para decidir pelo casamento.  Em ambos os casos, as decisões podem acabar em desastre.
Você, meu querido (a) ouvinte, deve estar achando que eu sou um guerrilheiro anti-romântico.  Nada disso.  Mas, lembre-se, quantas vezes estes sentimentos já o enganaram?  Não sou de maneira alguma contra o romance.  Apenas contra as ilusões que ele traz.  Curta as emoções, vá fundo, mas não confie nelas, senão o príncipe ou (a) logo vira sapo

escrito por Dr. Luiz Ainbinder

fev 09

Existe uma confusão, aliás várias, a respeito do amor.  Uma delas é a que podemos chamar de “amor-necessidade” ou “amor-deficiência”, que no fundo não é amor, é um estado de dependência.  Neste estado de dependência amorosa, você dá para o outro as suas carências e cobra dele o preenchimento de suas deficiências.  Fica claro que não é verdadeiro amor – é uma necessidade.  Você usa o outro, você o usa como um meio, um provedor emocional.  Você explora, manipula, domina.   Usar outro ser humano é desrespeitá-lo, é uma profunda demonstração de desamor.
Uma criança recém-nascida depende totalmente de sua mãe.  Seu amor para com a mãe é um “amor-deficiência” – ela precisa da mãe, não pode sobreviver sem ela.  De fato, não é realmente amor – ela amará qualquer mulher, quem quer que a proteja, quem quer que a alimente, quem quer que satisfaça suas necessidades.  O problema é que milhões de pessoas continuam crianças por toda a vida, num sentido amoroso.  Elas jamais crescem.  Estão sempre precisando de cuidados, ansiando, agora, pelo alimento emocional que o parceiro (a) pode dar.
E o ser humano amadurece no momento em que começa a amar em vez de necessitar.  Seu relacionamento não é de abastecimento e sim de transbordamento.  Ele começa a transbordar, a partilhar; ele começa a dar.  A ênfase é totalmente diferente.  Com o primeiro, a ênfase está em como obter mais.  Com o segundo, a ênfase está em como dar mais, em como dar incondicionalmente.  Só uma pessoa madura pode dar amor, porque só a pessoa madura o tem.  Então, seu amor não é dependente.
O que acontece quando uma flor floresce numa floresta sem ninguém para apreciá-la ou tomar conhecimento de sua fragrância, de seu perfume?  Será que ela morre?  Sofre?  Fica apavorada?  Comete suicídio?  Ela continua a florescer.  Não faz nenhuma diferença se alguém passa ou não; isso é irrelevante.  Ela continua espalhando no ar sua fragrância.  Assim é com o verdadeiro amor.  O amor não é uma relação.  É um estado da pessoa amorosa.  Uma pessoa verdadeiramente amorosa ela ama porque é essa a sua natureza, seu amor não brota apenas na presença de determinada pessoa.  O outro recebe o amor que transborda de uma coração pleno – e esse é o “amor-dádiva”, o verdadeiro amor.

escrito por Dr. Luiz Ainbinder

fev 09

De certa forma, é de admirar que tantos casamentos fracassem.  É só considerar as forças que supostamente mantêm um casal unido.  Amar e ser amado são algumas das vivências mais enriquecedoras por que passam as pessoas.  Tem-se ainda uma série de produtos secundários do relacionamento – a intimidade, o companheirismo, a aceitação, o apoio para mencionar apenas alguns.  A pessoa recebe consolo na saudade, alento no desânimo e tem com quem compartilhar os momentos de alegria.  E há o bônus extra da gratificação sexual, que a natureza concede como um incentivo para o acasalamento.  Tampouco se pode subestimar a satisfação em ter filhos e em constituir uma família.
As esperanças e o estímulo dos pais e de outros parentes, ao lado da expectativa da comunidade de que o casal permanecerá unido, formam as pressões que vêm de fora.  Com tantas forças promovendo e fortalecendo os relacionamentos, o que pode sair errado?   Por que o amor – deixando de fora todos os demais incentivos – não é forte o suficiente para manter unidos os casais?
Embora os cônjuges ou companheiros possam acreditar que falem uma mesma língua, o que uns dizem e os que os outros ouvem são muitas vezes coisas bem diversas.  Assim, os problemas na comunicação causam ou agravam as frustrações e decepções que muitos casais vivenciam.
Os desentendimentos seguem numa escalada até o ponto sem retorno; o que é extraordinário, contudo, é que, se o casal perceber o desentendimento e o corrigir antes de ir longe demais, poderá controlar a tormenta.
Tão logo os desentendimentos e os conflitos se combinem para incendiar os rancores e ressentimentos a pessoa antes vista como amante, aliada e companheira passa a ser vista como antagonista.
Lembre-se, meu querido (a) ouvinte:  “Não são correntes que atam um casamento.  São fios, centenas de fios que vão entrelaçando os cônjuges entre si ao longo dos anos”.

escrito por Dr. Luiz Ainbinder

fev 09

Para a Igreja Católica a luxúria significa desejo desordenado pelo prazer sexual.  Os desejos e atos são desordenados quando não se conformam com o propósito divino, que é propiciar o amor mútuo entre os esposos e favorecer a procriação. Fere o Sexto Mandamento (Não pecarás contra a castidade).
Para os padres da Igreja o sexo era abominável. Argumentavam que a mulher (como um todo) e o homem (da cintura para baixo) eram criações do demônio. O sexo era “uma experiência da serpente” e o casamento “um sistema de vida repugnante e poluído”.
Notáveis pensadores cristãos como Tertuliano, Jerônimo, Agostinho, juntamente com São Paulo, deixaram as mais duradouras impressões em todas as idéias cristãs subseqüentes sobre o sexo. Eles eram homens que haviam levado ativa vida sexual antes de se converterem ao celibato, e que depois reagiram com total repulsa ao sexo.
A Igreja desenvolveu horror aos prazeres do corpo, e as pessoas que se abstinham e optavam pelo celibato eram consideradas superiores. Mateus disse: “homens se farão eunucos voluntários”.
Foi Agostinho quem disseminou o sentimento geral entre os padres da Igreja de que o intercurso sexual era fundamentalmente repulsivo. Arnóbio o chamou de sujo e degradante. Metódio de indecoroso, Jerônimo de imundo, Tertuliano de vergonhoso. Entre eles havia um consenso não declarado de que Deus devia ter inventado um modo melhor de resolver o problema da procriação. Agostinho, posteriormente, concluiu que a culpa não era de Deus e sim de Adão e Eva.

escrito por Dr. Luiz Ainbinder